Dia absolutamente normal em São Paulo. Não chove forte, não há acidente ou obras à vista, não é véspera de feriado. Um único problema: são dezoito horas. E ninguém anda. Os carros não saem do lugar. Um casal discute a relação entre quatro portas. O jovem vestindo terno faz ligações eufóricas do celular. Entediada, a mulher no táxi abaixa a cabeça. Dos automóveis, uma nuvem tóxica e quente turva a imagem do inútil semáforo.
Olha-se para o outro lado: os ônibus na faixa exclusiva também não se movimentam. Os passageiros do ônibus também não, porque mal têm espaço para isso. Do lado de fora, na parada, a fila. Também parada. A ambulância – nessas horas, sempre ela – aparece. Busca em vão espaços para salvar alguém. A pé atravessa um grupo de jovens. Mas mesmo sobre a faixa de pedestres, eles desconfiam do sinal verde. E sobre a calçada, desconfiam da própria calçada.
De repente, hordas de motociclistas surgem aos retrovisores, geralmente para o desespero dos motoristas. Ciclistas, não se costuma ver: quem vai sobre a magrela há de ter muita coragem. Talvez ainda mais coragem dos que privilegiados que podem enfrentar o trem ou o metrô. Afinal, entre cotoveladas, sempre cabe mais um.
O que um cidadão como eu vivencia em São Paulo é vivido, em todo ou em parte, em muitas outras cidades por aí, no Brasil e no mundo. A questão que se coloca para todos nós é: Que cidade queremos? Junto-me à equipe de blogueiros do Planeta Sustentável para convidar você a pensar alternativas, discutir soluções e refletir sobre políticas públicas de mobilidade compatíveis com maior qualidade de vida em nossas cidades.
E então? Vamos embarcar nessa?
Originalmente publicado no Planeta Sustentável em 13/09/2007, às 07:39
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