A escola em movimento

O quadrado da hipotenusa é igual à soma dos quadrados dos catetos. A Terra é o terceiro planeta mais próximo do Sol. Ninguém duvida de que esses conteúdos são importantes para um estudante. Mas por que não abordar em algumas aulas o tema da mobilidade? Por que não incluí-lo no currículo escolar?Na Alemanha, assim como em certas escolas no Brasil, as crianças passam por uma formação genérica sobre segurança no trânsito, da primeira à quarta série. Como se atravessa uma rua? O que significam os sinais de trânsito? Como andar de bicicleta na cidade? Estão aí algumas perguntas colocadas para a garotada.

No entanto, essa formação inicial não tem sido suficiente para tirar jovens e adolescentes do grupo mais suscetível aos acidentes de trânsito. E nem para fazer deles pessoas mais conscientes sobre suas opções cotidianas de transporte. Nos dois países, ser jovem significa maior risco. Os índices de motorização crescem ano a ano e, com eles, os problemas já bem conhecidos por quem vive em qualquer cidade grande brasileira. Trabalhar o tema da mobilidade sustentável do ensino fundamental ao ensino médio é a idéia do Curriculum Mobilität, projeto desenvolvido no estado da Baixa Saxônia.

Alunos na faixa dos 17 anos (idade mínima para tirar a carta) são preparados para o mundo da mobilidade (motorizada ou não, sustentável ou não) de uma forma bem abrangente. Professores de diversas matérias – além dos pais e até de policiais, agentes de trânsito, planejadores urbanos, entre outros profissionais – podem trabalhar juntos e apresentar os aspectos técnicos por trás de uma simples viagem de mobilete, os custos ambientais e sociais por trás de uma motocicleta ou refletir sobre o teor das mensagens transmitidas por propagandas de automóvel. Alguns temas dão pano para manga para aulas ao longo de semanas…

Pode estar em projetos como esse o caminho para o desenvolvimento de uma “cultura para o trânsito”, em um mundo em que mobilidade é, aparentemente, uma necessidade cada vez mais presente em nossas vidas. No Brasil, país que ainda ocupa uma posição vergonhosa nas estatísticas internacionais de acidentes de trânsito, talvez seja uma boa idéia educar, também na escola, crianças e jovens para lidar com a rua. Até porque eles estão muito mais próximos de carros, calçadas e placas do que de triângulos retângulos ou de reflexões sobre o sistema solar.

Originalmente publicado no Planeta Sustentável em 20/03/2008, às 13:51

Sobre este tema, leia notícia Escolas terão aulas de trânsito, publicada no jornal O Estado de S. Paulo em 15/02/2008.

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