Mais metrô em São Paulo

14 02 2008

Parece que agora é para valer. Após quatro panes que paralisaram subitamente os vagões em janeiro, o Metrô anuncia que irá investir em um sistema mais moderno para a Linha 3 – não custa lembrar, a mais lotada do mundo. Com o novo sistema, o passageiro da Linha Leste-Oeste aguardará apenas 80 segundos pelo trem. Atualmente, a espera mínima é de 101 segundos.

Chato é ter de constatar que, mais uma vez, o anúncio de novas medidas em infra-estrutura só é feito depois que tragédias eclodem. Foi assim com o apagão elétrico, o apagão aéreo e, mais recentemente, com o quadro de crise do metrô de São Paulo. Não bastaram anos de plataformas cada vez mais lotadas de segunda a sexta-feira; foram necessárias quatro panes em quatro semanas para que um projeto fundamental saísse do papel.

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Dia desses li no Valor Econômico: “Decisões políticas provocaram apagão do Metrô paulista”. O título não traz nada de novo, mas chama a atenção para algo que não podemos esquecer. De acordo com a reportagem, aumentar em 12% a capacidade de transporte de passageiros por meio de um sistema mais moderno é parte de um pacote de investimentos de R$ 16 bilhões. Pacote esse que demorou a sair, conforme alerta há muito tempo o sindicato dos metroviários.

Além do aumento da frequência de trens na “hora do rush”, seria importante estender o horário de funcionamento do transporte sobre trilhos na metrópole. O metrô funcionará uma hora a mais no fim do horário de verão, mas bem que poderia ser assim todo dia. Seria um grande passo na direção de um metrô tempo integral em São Paulo. O metrô 24 horas tem um significado para lá de especial em uma cidade com uma efervescente vida noturna, mas ainda muito amarrada ao “andar de automóvel”. Será que algum dia ele vai ser realmente 24 horas?

Da última vez, cheguei segundos atrasado à estação Consolação. O fiscal nem tinha acabado de bloquear todas as catracas, mas me disse: “Desculpe, a estação fechou.” “Mas, poxa, nem é meia-noite e meia ainda…” Nem choro, nem vela. Tive de subir a escadaria e me colocar à espera de um ônibus que, alguma hora, chegou. Sou eu um caso único em uma aglomeração de 20 milhões de habitantes?

Também acho a extensão do horário do metrô importante quando penso no número cada vez maior de megaeventos que acontecem na cidade. Quanta gente não chega a tudo o que acontece na região da Paulista pelo metrô? Quem foi à Virada Cultural do ano passado deve ter reparado na quantidade de gente na Estação Sé. Alguns simplesmente se esqueceram de sair da estação. Ficaram ali mesmos, sentados em roda, no chão, e curtiram a noite ao som de violão.

Se não der para ser 24 horas, 7 dias por semana (como em Nova York), que opere pelo menos nas noites de sextas e sábados, com um tempo de espera maior. Em Berlim, o sistema de transporte sobre trilhos (formado pelo metrô e pelo S-Bahn) repousa da 1h30 às 4h da manhã, de domingo a quinta. Sexta e sábado, os trens também vão para a balada.

Originalmente publicado no Planeta Sustentável em 14/02/2008, às 9:46

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1 07 2008
Carla Regina Gianjacomo

Tenho passado o seguinte manifesto a todos os meus amigos, autoridades competentes e órgãos da imprensa:

O METRÔ 24 HORAS

Deveríamos aproveitar a polêmica causada pela Lei Seca, que proíbe a direção por motoristas que tenham ingerido qualquer quantidade de bebida alcoólica, para levantarmos uma questão importante para todos os moradores de São Paulo, inclusive aos que não bebem: funcionamento 24 do metrô.
Se tivéssemos transporte coletivo de qualidade e principalmente o funcionamento do metrô em tempo integral seriam reduzidos não só os acidentes causados por motoristas embriagados, mas também os congestionamentos e a poluição.
É fato que a sexta-feira é o dia da semana com tráfego mais pesado, será que o principal motivo não é óbvio?
Muitos dos trabalhadores que utilizam transporte público nos demais dias acabam por tirar os carros das garagens na sexta por saberem que ao se reunirem com os amigos para uma cervejinha após o escritório não terão transporte para voltarem para casa depois da meia-noite.
Existe a justificativa da Companhia de Metrôs de São Paulo de que as madrugadas são utilizadas para a manutenção dos trilhos, mas será que com um efetivo maior de funcionários essa manutenção não poderá ser feita em período menor? Talvez por duas horas durante dois ou três dias da semana apenas?
Certamente não seria necessário os trens circularem com intervalos de apenas poucos minutos, possivelmente intervalos de meia-hora fossem cabíveis durante as madrugadas.
A companhia de Metrôs deve fazer um estudo para determinar os horários de manutenção e os intervalos entre os trens durante as madrugadas a fim de viabilizar essa idéia. Sem dúvidas além da redução de riscos já citadas, a população de São Paulo ficaria muito satisfeita com a implementação desse serviço.

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