Risco? Que risco?

1 05 2011

Destruição no Haiti, desastre na região serrana do Rio de Janeiro, terremoto seguido de tsunami e ameaça de catástrofe nuclear no Japão. Acontecimentos extremos estão ficando mais frequentes ou estou me enganando? Revanche da natureza ou obra do acaso?

Eu me impressiono demais com essas situações e lamento muito pelas centenas de vidas levadas de uma só vez em cada um desses episódios. Você já viu as fotos e vídeos das cidades japonesas que simplesmente sumiram do mapa na semana passada? É bem assustador…

Mas confesso que, em um momento desses, não me apego muito a medir as forças do ser humano com a da natureza. A resposta é mais que óbvia. Acho mais produtivo pensar em formas de, na medida do possível, reduzir nossa vulnerabilidade diante dos desafios globais. E, para isso, o Brasil tem excelentes pré-requisitos, assim como péssimos precedentes.

Em comparação com outros países, o País não deverá sofrer a forma extrema de nenhuma das catástrofes prognosticadas no bojo da mudança climática. Sim, o nível do mar subirá, cairá mais água dos céus em algumas regiões e outras ficarão mais secas. Mas, no balanço geral, deveremos seguir uma trilha equilibrada. Um país abençoado por Deus, como alguns poderiam dizer.

Por outro lado, mesmo com essas mudanças relativamente moderadas, o perigo é latente. E o que tem sido feito ou o que se planeja fazer para reduzi-lo ou afastá-lo? Sim, em parte, é uma questão cultural. Vem de longa data a tradição de empurrar com a barriga, dar uma de joão-sem-braço, fechar os olhos para determinadas coisas. Especialmente as mais complicadas. Especialmente as que ainda estão por vir.

Milhares de brasileiros inocentes morrem todos os anos em enchentes, em acidentes de trânsito motivados por imprudência, em chacinas e acertos de conta. Morrem e tudo continua como está. Por que teríamos de tratar de outros, ainda mais volumosos problemas, se nem dos atuais conseguimos dar conta?

Acho até que as palavras “risco”, “perigo”, “emergência” não têm tanta força no português como em outras línguas. Em alguns lugares, a simples pronúncia da palavra risco já coloca muita gente em situação de alarme. No Brasil, é diferente. As áreas de risco crescem, os potenciais perigos se avolumam e ninguém dá trela. Afinal, Deus é brasileiro…

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