Qual é o limite?

13 12 2007
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No painel de um carro 1.0, o último número do velocímetro é 200 km/h. Não sou engenheiro, não sei se o carro chega até lá. Mas talvez com uma ajudinha de uma ladeira e na ausência de radares e de guardas, seja possível “voar” a 160km/h ou coisa parecida. O lugar ideal para uma pessoa comum – e não um técnico industrial – fazer este teste parece ser uma Autobahn. Nessas rodovias alemãs, é comum que os motoristas não tenham que observar qualquer limite oficial de velocidade. A Alemanha é talvez o único país do mundo onde se pode acelerar à vontade; o único limite é o motor do carro.
Por trás disso, há uma engenharia e uma política. A engenharia construiu traçados retos, com curvas suaves. Muros que às vezes chegam a 10 metros de altura protegem as regioes lindeiras do permanente ruído dos automóveis. Por segurança, pedestres e ciclistas sao mantidos longe de estradas desta categoria. E aí está o caráter político, contestado por grupos da sociedade civil e pelos ambientalistas do Greenpeace, por exemplo. Estes lutam para que, em todas as Autobahnen vigore um limite de velocidade, como nas estradas brasileiras. Afirma o movimento ambientalista que se o máximo permitido fosse 120 km/h o total de dióxido de carbono emitido pelos veículos que circulam por essas artérias diminuiria em 9%.

A contrapartida da “farra das altas velocidades” nas autoestradas é o respeitadíssimo limite imposto nos redutos residenciais e em outras áreas relativamente homogêneas dentro das cidades. Quem sai da auto-escola sabe muito bem o que é uma “Zona 30”. Dentro desses bolsões, quase não há semáforos e os motoristas não precisam ser avisados sobre a circulação de ciclistas. O artigo da Wikipedia sobre este assunto informa que a cidade de Graz, na Áustria, fez este limite valer largamente. Exceto nas principais ruas, a velocidade máxima permitida sempre é 30 km/h. Graz é uma “cidade 30”.

São Paulo seria também uma cidade 30, se dependesse da vontade do engenheiro Eric Ferreira. Mas com uma dose extra de radicalismo (ou de bom senso). Para ele não deveria haver exceção. Em todas as vias da cidade – da Radial Leste à Estrada do M´Boi Mirim – automóveis particulares deveriam andar no máximo em segunda marcha. O diretor de mobilidade do Instituto de Energia e Meio Ambiente explica por quê: “Até 30 km/h, a probabilidade de acidentes é muito baixa. Se um pedestre ou ciclista for atropelado, a probabilidade de ele vir a óbito é entre 5% e 7%. Quando o carro atinge alguém a 50 km/h, a probabilidade de alguém morrer passa de 80%.” Resumindo: Velocidade baixa, saúde e segurança em alta.

Originalmente publicado no Planeta Sustentável em 13/12/2007, às 20:21

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